CRÔNICAS PRO BOL$O | O que você faria com dinheiro a mais na sua conta?

Clay acordou às 07 da manhã muito assustado. Recém chegado ao Brasil, sentiu o fuso horário e as desgastantes horas de voo. Ainda assim, decidiu aproveitar as primeiras horas do dia para fazer compras para o restaurante onde trabalhava.

Jovem, com apenas 23 anos e é filho de pais brasileiros, nasceu na pequena cidade de Jaffrey, localizada no Estado de New Hampshire – EUA. O município fica cerca de 115 km de Boston, informação que sempre lhe era solicitada quando perguntado sobre sua origem.

Durante a vida em solo norte-americano, Clay foi criado com a política de guardar 15% de sua renda e fazer aplicações financeiras – no caso, sua mesada, seus pequenos ganhos ajudando vizinhos a retirar a neve das calçadas na adolescência e seu trabalho como ajudante de cozinha em restaurantes da região. Mas, ainda assim, era considerado um “esbanjador” por seus colegas de escola, que guardavam em torno de 30% do que ganhavam.

Assim que terminou a faculdade de Gastronomia, ele não pensou duas vezes e decidiu voltar ao Brasil para ser o novo Chef do restaurante do seu pai, em Ilhéus. Seu Lopes, pai de Clay, foi trabalhar de garçom nos EUA ainda moço e, com bastante suor, conseguiu construir um pequeno patrimônio a ponto de realizar o sonho de retornar ao país de origem e abrir um restaurante em sua cidade natal.

Como estava com os estudos em andamento, Clay optou por permanecer na América até concluir sua formação.

Agora, em solo brasileiro, o jovem reparou a forma que as pessoas daqui lidavam com o dinheiro e ficou indignado como pouquíssimos brasileiros diversificam seus investimentos, e raríssimos compram ações na bolsa. Ele simplesmente não entendia como os conterrâneos de seus pais conseguiam deixar cerca de R$ 700 bilhões na poupança rendendo menos de 0,60% ao mês, sendo que seus pequenos investimentos feitos com ajuda de um assessor na corretora lhe rendiam cerca de 2% ao mês.

Percebendo este panorama, ele chamou os funcionários do restaurante, clientes próximos e alguns familiares que estavam ali naquele final de expediente para mostrar uma conta simples que havia feito.

CRÔNICAS PRO BOL$O | O que você faria com dinheiro a mais na sua conta?
Mostrado o cálculo, a pergunta foi feita: o que você faria com este valor a mais na tua conta?

As respostas eram as mais variadas: “vinho italiano, pernil nobre, uma moto, a reforma da minha casa, aquela viagem…” foi o que mais se ouviu. No fim daquele bate papo, muitos se questionavam se Clay iria trabalhar no mercado financeiro ou se fazia operações na bolsa a todo momento. Ou até mesmo se estava levando algum dinheiro do assessor ou da corretora. Ele sorriu e explicou que simplesmente foi criado assim, seus vizinhos e colegas de escola também, dando valor a cada centavo que conseguia ganhar, olhando sempre para o futuro e para os seus objetivos.

Poupança é o pior investimento que você pode fazer!

Apesar de ser uma cultura arraigada no Brasil, o investimento na poupança está longe de ser a forma mais vantajosa de fazer o seu dinheiro render. Existem outras modalidades que rendem muito mais e são tão seguras quanto. Contas simples, como a que fez o Clay, demonstram isso. Aplicações diversificadas são a receita certa para ganhar mais!

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Na coluna Crônicas Pro Bol$o, que começa a ser publicada quinzenalmente a partir de hoje (04), você terá dicas de como lidar da forma correta com os seus rendimentos. Caso tenha dúvidas sobre o tema, entre em contato comigo pelo e-mail: diego@coimbrainvestimentos.com.br

Escrito por Diego Maique Guimarães

Diego Maique Guimarães é formado em Administração, possui MBA em gestão empresarial pela FGV e atua há mais de 12 anos no mercado financeiro. Trabalhou nas maiores instituições financeiras do país e hoje é sócio da Coimbra Investimentos, escritório credenciado à XP Investimentos. Diego é especialista em investimentos e possui certificação na Ancord e registro na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).