O machismo escancarado na televisão (e na vida real)

O machismo escancarado na televisão (e na vida real)

O machismo não é lenda urbana.

Não é mesmo. Ele está escancarado, desavergonhado, plantando bananeira num guindaste bem à nossa frente. E a recusa em vê-lo permanece estática, imponente. Cega.

Na edição de 2017 do popular Big Brother Brasil, mais um espetáculo carregado pelo público até os minutos finais. O relacionamento tóxico de Marcos e Emilly, que começou a dar as caras em discussões mais acaloradas, encontrou seu auge na violência física. Foi com a intervenção policial que o ex-BBB, na penúltima rodada, foi, finalmente, retirado da casa.

Mas e o público?

A postura impositiva e machista de Marcos nas telas não foi o suficiente para silenciá-lo: semana após semana, o público optou pela sua permanência no programa. Optou, pois o escândalo era atrativo. Os telespectadores ansiavam mais pela sua dose diária de violência – mascarada de “barraco” – do que pelo fim de um relacionamento abusivo.

E isso não para por aí: após o fim do programa, muitos fãs continuam firmes na defesa de Marcos, ou até mesmo esperando que o namoro com Emilly seja reatado. Não basta assistir passivamente ao machismo em horário nobre: romantiza-se isso também.

O caso José Mayer, que explodiu na mídia quase que simultaneamente ao fim do BBB17, não fica atrás nesse quesito, mas, dessa vez, acontece nos bastidores. Depois de assediar incessantemente a figurinista Susllem Tonani, que decide por revelar o ocorrido, tenta se justificar: “foi só uma brincadeira”. E muitos acreditam: para os espectadores, é um exagero que interfere na perfeita ordem da televisão nacional.

Nos seriados estrangeiros, inclusive nos da Netflix, o machismo também é tema latente. Em 13 Reasons Why, vemos uma adolescente que decide tirar a própria vida, incapaz de suportar os estigmas sexistas e os abusos que recaem sobre ela. Em Girlboss, uma jovem confusa, porém determinada, de defeitos escancarados que tendemos a odiar, simplesmente pelo fato de que uma mulher que corre atrás do que quer é incômodo.

O machismo escancarado na televisão (e na vida real)
Mas o que tudo isso revela? Que o machismo está aí.

Para quem quiser ver. Está sendo reproduzido nas telas e no que há por trás delas. E continua arrecadando públicos assíduos. Passivos.

A perplexidade é sempre momentânea. Continua-se calando a vítima e dando novas vozes ao agressor.

Até quando?